PT usa coronavírus como desculpa para adiar esclarecimentos sobre contas eleitorais

Utilizando como desculpa a pandemia do coronavírus, o PT pediu a prorrogação de prazo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apresentar esclarecimentos sobre gastos da ordem de R$ 30,4 milhões feitos em 2018 referentes aos Fundos Partidário e Eleitoral.

A Revista Oeste mostrou, na edição número 9, que o TSE cobra do partido esclarecimentos sobre gastos da ordem de R$ 14,6 milhões referentes a custeios com o Fundo Partidário. São despesas consideradas atípicas pelos técnicos que aparecem como locação de imóveis, aeronaves, serviços jurídicos e até dívidas de campanhas pregressas, inclusive a do ex-prefeito de São Paulo e candidato à Presidência em 2018, Fernando Haddad, e a do ex-poste Dilma Rousseff, de 2010. A corte eleitoral também quer que o PT explique os motivos pelos quais não repassou cerca de R$ 15,8 milhões para candidaturas femininas nas últimas eleições gerais. O dinheiro acabou indo parar nas contas de campanha dos candidatos do sexo masculino, indicando desvio de finalidade na aplicação do dinheiro do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

Em documento apresentado ao TSE, o partido solicitou mais tempo para dar explicações alegando a necessidade de se obter vários documentos que estão na sede da sigla, em São Paulo. “Em meio ao cenário da pandemia do novo coronavírus, tal procedimento exige do Requerente a realização de expediente presencial em sua sede administrativa e financeira, situada na cidade de São Paulo, epicentro da COVID-19 no país. Ademais, requer contatos com instituições financeiras e fornecedores para a obtenção de extratos e a apresentação de relatórios”, alega o partido. A sigla ainda destaca. “Todas essas providências têm se revelado dificultosas no momento presente, já que, em razão da necessidade de isolamento social, não apenas o Requerente [o PT] como os demais envolvidos se encontram com equipes reduzidas e têm priorizado o regime de trabalho remoto, atendendo às melhores orientações sanitárias”.

Diante disso, o ministro Edson Fachin, relator do processo, concedeu o prazo para que o partido se manifeste sobre os indícios de irregularidades até o final da segunda quinzena de junho.

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