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É falso que OMS concluiu que pacientes assintomáticos não transmitem Covid-19

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É falso que OMS concluiu que pacientes assintomáticos não transmitem Covid-19

Pacientes com coronavírus sem sintomas não estão impulsionando a disseminação do vírus, disseram autoridades da Organização Mundial da Saúde na segunda-feira, colocando dúvidas sobre alguns pesquisadores de que a doença pode ser difícil de conter devido a infecções assintomáticas.

Segundo o site AMERICANO CNBC.COM Algumas pessoas, particularmente indivíduos jovens e saudáveis, infectados pelo coronavírus nunca desenvolvem sintomas ou apenas desenvolvem sintomas leves. Outros podem não desenvolver sintomas até dias após serem realmente infectados.

Evidências preliminares dos primeiros surtos indicaram que o vírus poderia se espalhar pelo contato pessoa a pessoa, mesmo que o portador não apresentasse sintomas. Mas as autoridades da OMS dizem agora que, embora a propagação assintomática possa ocorrer, essa não é a principal maneira de transmissão.

“A partir dos dados que temos, ainda parece raro que uma pessoa assintomática realmente transmita adiante para um indivíduo secundário”, disse a Dra. Maria Van Kerkhove, chefe da unidade emergente de doenças e zoonoses da OMS, em entrevista à ONU. sede da agência em Genebra. “É muito raro.”

As respostas do governo devem se concentrar na detecção e isolamento de pessoas infectadas com sintomas e no rastreamento de qualquer pessoa que possa ter entrado em contato com elas, disse Van Kerkhove. Ela reconheceu que alguns estudos indicaram disseminação assintomática ou pré-sintomática em casas de repouso e em ambientes domésticos.

São necessárias mais pesquisas e dados para “responder verdadeiramente” à questão de saber se o coronavírus pode se espalhar amplamente por portadores assintomáticos, acrescentou Van Kerkhove.

“Temos vários relatórios de países que estão realizando rastreamento de contatos muito detalhado”, disse ela. “Eles estão seguindo casos assintomáticos. Eles estão seguindo contatos. E não estão encontrando transmissão secundária em diante. É muito raro.”

Se a disseminação assintomática provar não ser o principal fator de transmissão do coronavírus, as implicações políticas podem ser tremendas. Um relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, publicado em 1º de abril, citou o “potencial de transmissão pré-sintomática” como uma razão da importância do distanciamento social.

“Essas descobertas também sugerem que, para controlar a pandemia, pode não ser suficiente apenas pessoas com sintomas limitarem seu contato com outras pessoas, porque pessoas sem sintomas podem transmitir infecção”, afirmou o estudo do CDC.

Para ter certeza, a disseminação assintomática e pré-sintomática do vírus ainda parece estar acontecendo, disse Van Kerkhove, mas continua raro. Essa descoberta tem implicações importantes sobre como rastrear o vírus e limitar sua propagação.

“O que realmente queremos focar é seguir os casos sintomáticos”, disse Van Kerkhove. “Se realmente seguíssemos todos os casos sintomáticos, isolássemos esses casos, seguíssemos os contatos e os colocássemos em quarentena, reduziríamos drasticamente” o surto.

Atualização:

A informação mencionada acima e analisada pela Lupa é falsa. Ela se baseia em uma interpretação equivocada de uma afirmação da chefe do programa de emergências da OMS, a epidemiologista Maria van Kerkhove. Na segunda-feira (8), em coletiva de imprensa, Kerkhove declarou que transmissões de Covid-19 por pacientes assintomáticos parecem ser “raras”. Contudo, ela não disse que esses pacientes não têm potencial de infectar outras pessoas. A OMS, posteriormente, esclareceu que essas transmissões são menos comuns, mas não são impossíveis.

Após a entrevista, Kerkhove também esclareceu, por meio de sua conta pessoal no Twitter, que se referia apenas a pacientes “verdadeiramente” assintomáticos. Essa definição não inclui pessoas pré-sintomáticas, ou seja, infectadas pelo vírus e que ainda não desenvolveram a doença, e pessoas com sintomas leves, que podem não perceber estar doentes, mas desenvolvem sintomas como tosse ou coriza.

A diretora também reafirmou a importância do uso de máscaras em áreas públicas. Em nenhum momento, durante ou depois da entrevista, ela questionou a eficácia de políticas de isolamento social.

A afirmação da diretora foi criticada pela comunidade científica. Um dos principais pesquisadores da área, o norte-americano Ashish K. Jha, ressaltou que existem estudos (aqui e aqui) que mostram que entre 40% e 60% das transmissões da doença ocorrem por pacientes sem sintomas – embora a proporção de casos verdadeiramente assintomáticos, em oposição a pré-sintomáticos e com sintomas leves, seja desconhecida. No seu entendimento, a representante da OMS falhou em não deixar claro inicialmente que estava falando apenas dos casos verdadeiramente sem sintomas.

A assessoria de imprensa da OMS informou, em nota, que pacientes assintomáticos podem transmitir o vírus da Covid-19. Contudo, a possibilidade de transmissão é menor. Além disso, estudos são mais difíceis de realizar nesses casos. “Estudos abrangentes sobre transmissão por pessoas assintomáticas são difíceis de realizar, mas as evidências disponíveis com base no rastreamento de contatos por países indicam que indivíduos infectados e assintomáticos têm muito menos probabilidade de transmitir o vírus quando comparados a pessoas com sintomas”, disse a entidade.

Em nota técnica sobre o uso de máscaras em ambientes públicos, a OMS cita dois estudos que mostram transmissão da doença por pessoas assintomáticas ou pré-sintomáticas. Em um deles, pesquisadores chineses analisaram 63 indivíduos infectados assintomáticos, e verificaram que nove deles infectaram outras pessoas. Outro, sobre pacientes pré-sintomáticos, mostrou que, em 6,4% dos casos, esses indivíduos transmitiram a doença para terceiros antes de desenvolverem a doença. Há, porém, levantamentos também limitados em que nenhum paciente sem sintomas transmitiram a doença.

Pacientes assintomáticos são aqueles que não apresentaram e nem vão apresentar sintomas da doença – como tosse, febre e dificuldades respiratórias. Como a principal forma de transmissão são gotículas de saliva expelidas por pessoas contaminadas, o risco de contágio de uma pessoa completamente assintomática é consideravelmente mais baixo do que de uma pessoa que já desenvolveu os sintomas. Porém, pessoas com sintomas leves podem não perceber que contraíram a doença e acabar transmitindo para outras pessoas.

Essa não é a primeira vez que a Lupa desmente essa informação. Em abril, o site do Ministério da Saúde informava – incorretamente – que pacientes sem sintomas não transmitem Covid-19. Na época, classificamos como falso esse conteúdo. O Ministério da Saúde corrigiu a informação e alegou que o conteúdo tinha sido publicado no início da pandemia, quando ainda se acreditava que esse tipo de transmissão não ocorria.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

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