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MPF identifica quem tentou colocar R$ 20 mi em conta ligada a coronel Lima

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MPF identifica quem tentou colocar R$ 20 mi em conta ligada a coronel Lima

Entre os elementos que basearam a deflagração da Operação Descontaminação, que prendeu o ex-presidente Michel Temer e aliados dele, chamou a atenção dos investigadores da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro a tentativa de um depósito de 20 milhões de reais na conta da Argeplan, empresa do coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo João Baptista Lima Filho, conhecido como Coronel Lima, amigo de Temer há 30 anos. Os procuradores inicialmente não haviam identificado o autor da operação, negada pelo Banco Santander e comunicada ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), mas agora afirmam que se trata de Antonio Carlos Correia da Silva, gerente financeiro da Argeplan.
A conclusão do MPF no Rio veio após serem ouvidos o gerente de pessoas jurídicas do Santander e a gerente geral da agência do banco, localizada na Avenida Heitor Penteado, no Sumarezinho, em São Paulo, a apenas cinco minutos a pé da sede da Argeplan. Segundo o então gerente de contas de empresas do banco, Fabrício Farinelli, um homem chamado “Antonio Carlos” se apresentou como portador da Argeplan e precisava abrir duas contas de pessoa jurídica, que “seriam utilizadas para o recebimento de um valor bem alto através de TED oriunda do Banco Bradesco para essas contas; QUE esse depósito seria de algo em torno de 20 milhões de reais”.
Farinelli declarou que questionou “Antonio Carlos” sobre a origem do dinheiro e ouviu dele que o coronel Lima “poderia comprovar a licitude” do montante, “mencionando que a empresa havia recebido valores de vendas de galpões e lojas e também em razão de obras realizadas”. O representante da Argeplan teria dito que estava com toda a documentação necessária para abrir as contas.
Fabrício Farinelli relatou ter repassado os documentos a Silvana Alves de Souza, gerente geral da agência, que, por sua vez, encaminhou os dados para análise do comitê de abertura de contas do banco, em um procedimento padrão. Também ouvida pelos investigadores, Silvana disse que as contas seriam abertas em nome das contas PDA Projeto e Direção Arquitetônica e PDA Administração e Participação Ltda, ambas do coronel Lima. Ela também relatou que Antonio Carlos solicitou a abertura de uma conta de pessoa física em nome do arquiteto Carlos Alberto Costa, um dos sócios da Argeplan e alvo da Operação Descontaminação.
“Que Antonio Carlos mencionou que precisava transferir para o Santander cerca de R$ 20 milhões que se encontravam em outro banco; que a empresa ARGEPLAN já possuía conta no Santander desde 2003, razão pela qual a declarante entendeu que as contas a serem abertas para a PDA seriam utilizadas para o recebimento daqueles R$ 20 milhões”, diz o relatório da oitiva da gerente.
Tanto Farinelli quanto Silvana relataram que, diante das notícias que envolviam a Argeplan a investigações criminais, o comitê do Santander decidiu não abrir as contas. Informado no dia seguinte pela gerente geral da agência, Antonio Carlos “recolheu a documentação e se retirou da agência”, conforme os relatos de ambos.
Em um segundo Relatório de Inteligência Financeira (RIF), produzido após os esclarecimentos de Fabrício Farinelli e Silvana Souza, o Coaf afirmou que “no dia 22/10/2018 teria comparecido à referida agência uma pessoa apresentando-se como Antonio Carlos Correia da Silva, e dizendo-se procurador da empresa Argeplan”.
“Consta que Antonio Carlos teria solicitado a abertura de contas correntes para duas empresas PDA Projeto e Direção arquitetônica Ltda e PDA Administração e Participação Ltda e também uma conta pessoa física para o sócio Carlos Alberto Costa. Consta que Antonio Carlos teria afirmado que precisava transferir para o banco Santander cerca de R$ 20 milhões que estariam em outro banco. Ao ser indagado sobre a origem do dinheiro, Antonio Carlos teria informado que era apenas procurador das empresas e que o sócio João Baptista Lima filho poderia prestar informações sobre a origem dos valores”, diz o documento emitido pelo órgão.
Para os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio, a abertura das contas poderia “caracterizar tentativa de dissimulação ou ocultação de valores”.
Os investigadores notaram que em 29 de outubro de 2018, uma semana depois de o Santander negar a abertura das contas, coronel Lima, sua mulher, a arquiteta Maria Rita Fratezzi, a PDA Projeto e Direção Arquitetônica Ltda. e a PDA Administração e Participação Ltda. entraram com uma ação contra o Bradesco em razão do fechamento unilateral de suas contas no banco.
O MPF aponta ainda que foram bloqueados 21,6 milhões de reais em uma conta-corrente no Bradesco em nome da PDA Administração Ltda, dinheiro que possivelmente seria o transferido às contas que seriam abertas no Santander.
“A tentativa de transferência de valores de contas da PDA Administração e Participação Ltda. para conta em nome da pessoa física de CARLOS ALBERTO COSTA, que sequer é sócio da PDA Administração, indica a necessidade de aprofundamento das investigações de possíveis crimes de lavagem de dinheiro”, concluem os procuradores.

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