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Dilma diz a PF que ‘nunca ouviu falar’ de conta no exterior aberta para ela por Joesley

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Dilma diz a PF que ‘nunca ouviu falar’ de conta no exterior aberta para ela por Joesley

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) parece ter perdido a memória. Em depoimento à Polícia Federal, a petista afirmou que “nunca ouviu falar” da conta no exterior supostamente aberta para ela pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS. Dilma também negou as acusações de compra do apoio político de senadores do então PMDB pelo grupo J&F. As informações são do jornal O Globo.

O caso é investigado na Operação Alaska, da Polícia Federal, que foi deflagrada a partir da delação premiada de Joesley.

Em sua delação premiada, Joesley afirmou que acertou com o então ministro da Fazenda Guido Mantega a abertura de contas no exterior para periodicamente depositar valores de propina destinados ao ex-presidente Lula e à ex-presidente Dilma, referentes a recursos obtidos pela JBS do BNDES na gestão petista. No seu depoimento à PF, a petista classificou o relato de “ficção”.

Dilma afirmou que nunca conversou com Joesley sobre contribuições eleitorais e disse que todas as reuniões mantidas com o empresário, para tratar de assuntos institucionais, foram acompanhadas de assessores, “como recomenda o protocolo presidencial”.

“Nunca teve conhecimento dessas contas e somente soube da suposta existência há pouco, quando foram divulgadas as declarações de Joesley Batista”, afirmou a ex-presidente. Dilma disse ainda que “não determinou a abertura de contas bancárias e jamais teve conversas relacionadas a esse tema”. “Nunca ouviu falar nas contas denominadas Mustique e Fermenteira, alegadamente mantidas por Joesley Batista no Banco JP Morgan”, disse no depoimento.

A PF chegou a solicitar a prisão temporária da ex-presidente, que foi negada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin. Semanas depois, no dia 20 de novembro do ano passado, Dilma foi ouvida por um delegado da PF em Porto Alegre.

De acordo com o jornal O Globo, a ex-presidente afirma que não faria sentido o relato de que o grupo J&F acertou doações eleitorais com os caciques do então PMDB do Senado em troca de apoiar sua candidatura presidencial em 2014, porque as pesquisas de intenção de voto a colocavam em primeiro lugar.

Ao final do seu depoimento, a ex-presidente pediu a palavra para criticar a delação de Joesley e também do ex-ministro petista Antonio Palocci, a quem classificou de “sistemático mentiroso”.

“Deseja esclarecer inicialmente que sancionou a lei que tipificou em parte a delação premiada e, por esta razão, sente-se no dever de fazer algumas constatações a respeito das contas que Joesley teria aberto no exterior. Em 2017, o Ministério Público, por meio de um procurador (Ivan Marx, da Procuradoria da República no DF) disse que as contas representavam pura e simplesmente a palavra de Joesley; primeiro porque nenhuma delas tinha sido a fonte de qualquer um dos supostos pagamentos feitos no Brasil; portanto, não tinha como rastrear os valores a bem de evidenciar que os pagamentos tenham sido feitos com o propósito que ele diz ter tido”, afirmou Dilma.

A ex-presidente também criticou o fato de a delação de Joesley sobre as contas no exterior ter sido confirmada na delação de Palocci e disse que há contradições entre os relatos deles. “Já é errado usar uma delação como prova da outra, mas passa dos limites quando uma contradiz a outra”, afirmou.

Delação de Joesley

Joesley Batista afirmou em sua delação que, em 2014, no auge das eleições em 2014, encontrou com a então presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, em Brasília. Sentado numa ampla mesa redonda, o empresário disse: “Presidenta, eu vou falar um negócio aqui para a senhora. A senhora não precisa me confirmar nada. Mas só para te falar o que o Guido (Mantega, então ministro da Fazenda) me fala para a gente estar na mesma página. Tinha uma conta tal, que tinha 70 milhões (de dólares), outra 80 (milhões de dólares). Diz ele uma ser sua e uma ser do Lula. Veio as eleições, a gente já fez 300 e tantos milhões. Em tese, está acabando o dinheiro”.

Joesley se referia a um acordo que fora feito com Mantega para criar uma conta-propina no exterior no valor de 150 milhões de dólares em troca dos investimentos bilionários feitos pelo BNDES e pelos fundos de pensão na JBS. Esses recursos ficavam sob administração da companhia lá fora – e eram liberados para candidatos do PT durante as eleições daquele ano.

Naquele momento, Joesley estava preocupado, porque o saldo da conta secreta estava chegando ao fim. O empresário alertou Dilma de que o seu tesoureiro, Edinho Silva, queria mais 30 milhões de reais para a campanha do ex-ministro Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais. “Fazendo esses 30 milhões, aí acabou mesmo o dinheiro, aí não tem mais nada. Queria que a senhora ficasse ciente disso. É para fazer mesmo 30 milhões?”, perguntou Joesley a Dilma. “Ela (Dilma) falou: ‘Tem que fazer mesmo, os 30 milhões’”, conta o empresário, reproduzindo o diálogo no depoimento prestado ao Ministério Público Federal em Brasília no último dia 12

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