Bolsonaro amplia presença de militares da ativa no governo

Na formação de seu governo, Bolsonaro, vindo de um partido pequeno e sem alianças, buscou nas Forças Armadas militares para postos-chave, além do vice, Hamilton Mourão. Todos os escolhidos estavam na reserva, a exceção de um, o almirante Bento Albuquerque (Minas e Energia). Estão na reserva ou reformados, além de Mourão: o general Santos Cruz (ex-Secretaria de Governo), o general Augusto Heleno (GSI), o general Fernando Azevedo e Silva (Defesa), o tenente-coronel da Aernáutica Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), o capitão do Exército Tarcísio Freitas (Infraestrutura) e o capitão do Exército Wagner Rosário (CGU).

Com a indicação do general de Exército Walter Souza Braga Netto para a Casa Civil, Bolsonaro não só amplia a participação dos militares da ativa no seu governo, como cria uma situação inédita desde a redemocratização. O último ministro militar a ocupar a Casa Civil, cujo nome já carrega seu caráter civil, foi o general Golbery do Couto e Silva. Ele deixou o governo Figueiredo em 1981, três anos antes do fim do regime militar e foi sucedido por dois civis: João de Carvalho Oliveira e João Leitão de Abreu.

Além de Bento e, possivelmente Braga Netto (as mudanças na Esplanada ainda não foram oficializadas pelo Planalto), o governo Bolsonaro já tinha colocado outro militar da ativa dentro do Palácio do Planalto: Luiz Eduardo Ramos substituiu o general Santos Cruz e vem ganhando espaço por ser considerado o responsável pela melhora na interlocução do governo com o Congresso.

Da reserva da política militar, veio ainda o ministro Jorge Oliveira para a Secretaria-geral da Presidência após a tumultuada saída de Gustavo Bebbiano, que era da “ala política”. Se Braga Netto for confirmado para a Casa Civil e Onyx para a Cidadania, o governo Bolsonaro passará a ter, além de Mourão, cinco ministros da reserva e três da ativa, sendo um deles na Casa Civil. Outro militar da ativa é o porta-voz Otávio Rego Barros, general do Exército.

A ampliação da presença de militares da ativa no governo Bolsonaro é simbólica porque aumenta o vínculo institucional do Executivo com as Forças Armadas. Tanto Ramos, quanto Bento e Braga Netto, se assumir, estarão em postos-chave, representando a alta cúpula das Forças Armadas no governo, trabalhando perto do presidente e à exceção de Bento, trabalhando diretamente com a articulação política.

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